Agregador cidadão · Portugal · 2026

Comunidades pela regeneração da terra, da água e das florestas

O que se passa em cada território — e como te podes juntar.

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Território por território

Lutas ativas agora

Casos em curso em Portugal, revistos semanalmente. Esta lista não é exaustiva — é um ponto de partida.

Mina de lítio a céu aberto
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ex: "open pit lithium mine"
Mineração de lítioEm tribunal⚖️ Em acompanhamento

Mina de lítio em Covas do Barroso

Boticas, Vila Real — região do Barroso, património agrícola classificado

A empresa Savannah Resources quer abrir uma mina de lítio a céu aberto numa zona agrícola centenária, contra a vontade da população e da câmara. Em fevereiro de 2026 a Associação Unidos em Defesa de Covas do Barroso e a ClientEarth levaram o caso ao Tribunal de Justiça da União Europeia — o primeiro teste ao Regulamento europeu das Matérias-Primas Críticas. Depois de a Comissão Europeia ter recusado, em dezembro de 2025, retirar o Barroso da lista de "projetos estratégicos", as organizações abriram uma nova ação contra a própria Comissão no mesmo tribunal.

Atualização de julho de 2026: em maio, o Tribunal Administrativo e Fiscal de Mirandela aceitou uma providência cautelar apresentada pelos Compartes dos Baldios de Covas do Barroso e travou uma segunda servidão administrativa e os trabalhos no terreno. A Savannah suspendeu as obras a 9 de junho — mas o Governo respondeu com uma Resolução Fundamentada a reafirmar o interesse público do projeto, e a empresa retomou os trabalhos de campo ainda em junho. A produção está agora prevista para 2028.

Trabalhos suspensos por tribunal em junho — depois retomados por resolução do Governo
Acompanhar — Alerta Lítio →
Pedreira de mármore
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ex: "marble quarry"
PedreirasDenunciado⚖️ Em acompanhamento

Pedreiras sem controlo ambiental — Borba e Vila Viçosa

Distrito de Évora

232 pedreiras registadas nestes dois concelhos — 55 em Borba, 155 em Vila Viçosa. Mais de metade não tem plano ambiental e de recuperação paisagística válido, deixando poços abandonados com risco de contaminação de aquíferos, já que não existe a camada de argila e tela que protege os solos como nos aterros controlados.

Mais de 50% sem plano ambiental aprovado
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Parque Natural da Arrábida
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ex: "Arrábida" ou "limestone quarry cliff"
PedreirasExigência a empresa⚖️ Em acompanhamento

Pedreiras da Secil no Parque Natural da Arrábida

Setúbal — Parque Natural da Arrábida

A Liga para a Proteção da Natureza e mais seis organizações ambientalistas exigem que a Secil apresente um plano concreto de desativação das suas pedreiras dentro de uma área protegida, num dos ecossistemas mais raros do país.

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Incêndio florestal
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ex: "wildfire forest fire"
Incêndios florestaisEm curso — julho 2026⚖️ Em acompanhamento

Vaga de incêndios de julho 2026

Sobretudo região Centro — Vouzela, Barcelos, Tâmega e Sousa, Arouca

Portugal viveu entre 3 e 6 de julho uma situação de alerta nacional por calor extremo e risco de incêndio. Em poucos dias, 4.592 ocorrências consumiram mais de 30.000 hectares — a maior área ardida neste período desde 2017. A crise reflete anos de abandono do território, monoculturas de eucalipto e falta de gestão florestal preventiva.

+30.000 hectares ardidos em 5 dias
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Central fotovoltaica Sophia
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ex: "solar farm panels landscape"
⚡ Assinar a petição na Assembleia da República
Mega-central solarPetição na Assembleia da República⚡ Ação disponível

Sophia e Beira: petição pede suspensão das duas megacentrais solares

Fundão, Penamacor e Idanha-a-Nova — Beira Baixa, distrito de Castelo Branco

Um dos maiores projetos fotovoltaicos alguma vez propostos em Portugal: 867 MWp, da empresa Lightsource bp, com um investimento de cerca de 590 milhões de euros. Ao abrigo do artigo 52.º da Constituição, uma petição chegou à Assembleia da República a pedir a suspensão imediata do licenciamento de duas megacentrais — Sophia (867 MWp) e Beira (269 MWp) — que juntas avançam sobre solo agrícola, património classificado e habitats de espécies que não sobrevivem noutro lugar de Portugal, e uma auditoria técnico-científica independente aos estudos de impacte já apresentados.

A zona afetada é habitat de 231 espécies de vertebrados, das quais 30 estão ameaçadas de extinção — entre elas a águia-imperial-ibérica, o abutre-preto e a cegonha-preta. O projeto prevê ainda destruir mais de 1.158 hectares de montado e abater mais de 2.200 sobreiros e azinheiras protegidos. Ninguém na petição é contra energias renováveis — o que se recusa é que a transição se faça à custa de megaestruturas centralizadas impostas sobre o interior, em vez de soluções descentralizadas como autoconsumo, comunidades de energia, ou painéis em telhados e zonas já artificializadas.

+12.000 contributos — consulta pública recorde em Portugal
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Albufeira de Castelo de Bode
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ex: "reservoir lake forest Portugal"
ImobiliárioSem avaliação ambiental⚖️ Em acompanhamento

Amara Village em Castelo de Bode

Tomar — margens da albufeira de Castelo de Bode

Um aldeamento turístico de 50 hectares está a ser preparado nas margens de Castelo de Bode — a segunda maior albufeira do país, reserva estratégica de água pública que serve cerca de três milhões de pessoas na Grande Lisboa — sem que exista, segundo a Quercus, Avaliação de Impacte Ambiental (AIA). A lei exige essa avaliação a partir de 10 hectares: este projeto tem cinco vezes esse limite.

Chama-se Amara Village: 193 propriedades, entre apartamentos e moradias, e infraestruturas de apoio incluindo uma ETAR. Atualização de julho de 2026: a Câmara Municipal de Tomar veio esclarecer que não tem, até agora, qualquer projeto turístico com este nome em fase de licenciamento — o único ato administrativo emitido para o terreno foi um alvará de loteamento e obras de urbanização, ligado a um Plano de Pormenor de 2011. Ou seja: o terreno está preparado para construir, mas o projeto turístico em si ainda não deu entrada formal para avaliação ambiental. É precisamente essa ausência de AIA, antes de as obras avançarem, que a Quercus continua a exigir que seja resolvida.

50 hectares — 5x o limite legal que obriga a Avaliação de Impacte Ambiental
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Rio Mondego
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ex: "river valley mountains Portugal"
⚡ Assinar a petição por cancelamento
BarragemConcurso lançado — petição por cancelamento⚡ Ação disponível

Barragem de Girabolhos

Rio Mondego — Seia/Gouveia, Serra da Estrela

A barragem que o Governo apresenta como resposta às cheias do Baixo Mondego não teria evitado as cheias que a justificam. Em nove dias de fevereiro de 2026, choveu o suficiente na área de influência de Girabolhos para gerar cerca de 309 milhões de metros cúbicos de água — mais do que a capacidade total da albufeira prevista, de 245 milhões. A conta é da associação ambientalista ZERO. A área que drena para Girabolhos corresponde a menos de 15% da bacia do Mondego; os restantes 85% continuam a gerar cheias que a barragem não intercetaria.

É um projeto antigo: concebido no programa de dez barragens do Governo de José Sócrates, cancelado em 2016 por razões de custo-benefício e impacto ambiental, e devolvido à agenda em abril de 2026, depois do inverno de cheias. Atualização de julho de 2026: o concurso público para a construção foi mesmo lançado a 15 de julho, com conclusão prevista para 2038. A Quercus desafiou o Governo a "ter coragem" de cancelar o concurso, e o GEOTA recorda que o projeto já foi reprovado várias vezes no passado. Vai inundar, segundo o GEOTA, "um dos últimos troços em estado próximo do natural do rio Mondego" — e a própria Ministra do Ambiente já admitiu que a barragem não resolve o problema das cheias, no máximo atenua-o.

Concurso lançado a 15 de julho de 2026 — obra prevista até 2038
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Central fotovoltaica em construção
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ex: "eagle flying mountains" ou "solar panels construction"
Mega-central solarConstrução prevista nov. 2026⚖️ Em acompanhamento

Central Fotovoltaica de Sobreira de Baixo (EDP)

Pedrógão, Vidigueira, e marginalmente Portel — distrito de Évora

Vai ser a maior central solar da EDP na Europa: 96 hectares de implantação direta dentro de uma propriedade de 836 hectares. O projeto foi reformulado em setembro de 2025 depois de a Agência Portuguesa do Ambiente identificar impactos negativos "muito significativos" na águia de Bonelli e nos morcegos de um abrigo de importância nacional associado a Alqueva. O abutre-preto tem risco de colisão e eletrocussão nas linhas elétricas associadas ao projeto — a Liga para a Proteção da Natureza já pediu a revisão do estudo de impacte ambiental.

Construção prevista para novembro, produção a partir de dezembro de 2026
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Território português
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ex: "government building Portugal" ou "forest aerial Portugal"
SistémicoReforma em curso⚖️ Em acompanhamento

Reforma da APA e do ICNF enfraquece a fiscalização ambiental

Nacional

O Governo anunciou em maio de 2026 uma reforma da Agência Portuguesa do Ambiente e do ICNF que substitui a avaliação ambiental prévia por fiscalização a posteriori, sob pretexto de "simplificação administrativa" e digitalização com inteligência artificial. Zero, SPEA e Quercus alertam que isto pode enfraquecer a proteção do território, da biodiversidade e do clima — a SPEA nota que a reforma "não contém qualquer referência à proteção da biodiversidade, às áreas protegidas ou às obrigações europeias e internacionais de Portugal" em conservação da natureza.

Portugal já está em processo de infração da União Europeia por incumprimento das diretivas Aves e Habitats. Organizações ambientalistas avisam que trocar a avaliação prévia por inspeção depois do facto consumado pode agravar essa situação e expor o país a mais sanções — além de tornar mais difícil para as próprias organizações contestarem projetos antes de o dano estar feito.

Portugal já em processo de infração da UE pelas diretivas Aves e Habitats
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Seca e calor em Portugal
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ex: "drought heat Portugal landscape"
SistémicoSem plano de contingência⚖️ Em acompanhamento

Portugal sem plano de contingência para a emergência climática

Nacional

Mais de 100 municípios portugueses ainda não entregaram os planos municipais de ação climática que eram obrigatórios por lei desde 2024. Especialistas descrevem a resposta portuguesa às ondas de calor como "reativa" em vez de preventiva, e pedem uma rede estruturada de refúgios climáticos e informação que chegue às pessoas mais vulneráveis, em vez de depender só da divulgação online.

Paira agora o aviso de um El Niño potencialmente histórico a aproximar-se entre outubro de 2026 e o início de 2027. Segundo o IPMA, os seus efeitos diretos em Portugal não são estatisticamente significativos — mas um climatólogo da Universidade de Lisboa alerta que o maior risco concreto para o país continua a ser o dos incêndios.

+100 municípios sem plano municipal de ação climática, obrigatório desde 2024
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Campo de Tiro de Alcochete
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ex: "cork oak forest wetland aerial Portugal"
InfraestruturaEm curso — Alcochete avança⚖️ Em acompanhamento

Aeroporto do Montijo foi travado, mas Alcochete avança com riscos maiores

Alcochete — Campo de Tiro, sobre o aquífero Tejo-Sado

É verdade que o Montijo caiu: depois de anos de contestação, o Tribunal Administrativo de Círculo de Lisboa declarou caduca, em abril de 2026, a Declaração de Impacte Ambiental que sustentava o projeto ali, selando o fim legal dessa localização junto ao estuário do Tejo. Mas o novo aeroporto de Lisboa não foi cancelado — mudou de sítio. O Governo confirmou em março de 2026 o Campo de Tiro de Alcochete como a localização definitiva, e as obras avançam a "ritmo aceleradíssimo": o estudo de impacte ambiental foi entregue à Agência Portuguesa do Ambiente em julho de 2026, com um investimento estimado entre 7,9 e 8,9 mil milhões de euros.

Segundo organizações ambientalistas, Alcochete é a opção mais problemática das três que chegaram a ser consideradas: o projeto ameaça mais de 250 mil sobreiros, assenta sobre o sistema aquífero Tejo-Sado — a maior reserva de água doce subterrânea do país — e os cones de voo das pistas sobrepõem-se aos corredores de deslocação de aves entre os estuários do Tejo e do Sado.

250 mil sobreiros ameaçados — assenta sobre a maior reserva de água doce subterrânea de Portugal
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Parque Natural de Montesinho
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ex: "Montesinho Natural Park wolf mountains"
Mineração transfronteiriçaVitória — licença recusada

Mina de Valtreixal (Calabor): licença ambiental recusada

Calabor, Zamora — Espanha, a poucos km do Parque Natural de Montesinho, Bragança

Do outro lado da fronteira, mas mesmo ao lado de Portugal, a Junta de Castela e Leão recusou, em maio de 2026, a licença ambiental para a mina a céu aberto de estanho e volfrâmio prevista para Calabor, no jazigo de Valtreixal. O projeto fica a cerca de 5 km da fronteira portuguesa e a poucos quilómetros do Parque Natural de Montesinho, em Bragança — uma área que partilha ecossistemas e cursos de água com o lado português da fronteira, incluindo populações de lobo-ibérico. A decisão espanhola é também uma vitória para a conservação transfronteiriça.

A poucos km do Parque Natural de Montesinho
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Serra do Marão
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ex: "wind turbines mountain ridge Portugal"
⚡ Assinar a petição
Eólica + solar (hibridização)Parecer desfavorável — ainda em curso⚡ Ação disponível

Hibridização fotovoltaica no Parque Eólico de Penedo Ruivo, Serra do Marão

Amarante e Baião — Serra do Marão / Paisagem Protegida Regional da Serra da Aboboreira

A empresa alemã EnergieKontor quer instalar cerca de 25 mil painéis solares — ocupando cerca de 7 dos 21 hectares do projeto — junto ao parque eólico já existente de Penedo Ruivo, entre os 1.120 e os 1.220 metros de altitude na Serra do Marão. A Comissão Diretiva da Paisagem Protegida Regional da Serra da Aboboreira já emitiu parecer desfavorável, apontando "incompatibilidades materiais relevantes" com a conservação da natureza. Mais de 1.700 pessoas já assinaram uma petição a pedir a suspensão do licenciamento até haver uma avaliação ambiental "mais aprofundada e independente".

+1.700 assinaturas na petição contra o projeto
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Painéis solares e eólicas em Portugal
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ex: "solar panels wind turbines aerial Portugal"
SistémicoConsulta encerrada em polémica — a aguardar decisão⚖️ Em acompanhamento

Zonas de aceleração de renováveis ameaçam áreas críticas — e a consulta terminou em polémica

Nacional — sobretudo Algarve, Alentejo e Nordeste Transmontano

O Programa Setorial das Zonas de Aceleração da Implantação de Energias Renováveis (PSZAER), em consulta pública entre 17 de junho e 15 de julho de 2026, identifica 455 mil hectares em Portugal como áreas preferenciais para centrais solares e eólicas, simplificando o licenciamento destes projetos. Organizações ambientalistas alertam que várias das zonas propostas no Algarve e no Alentejo coincidem com territórios essenciais para a conservação da natureza e com habitats de espécies classificadas como "ameaçadas" ou "criticamente ameaçadas".

Atualização de julho de 2026: a consulta terminou em polémica depois de a Plataforma Nordeste Vivo ter denunciado que só teve acesso à localização exata das zonas previstas para o Nordeste Transmontano através de uma fuga de informação — os mapas georreferenciados nunca tinham sido disponibilizados às populações, apesar de pedidos repetidos. O movimento acusa o Governo de conduzir o processo "na sombra", exige a suspensão do procedimento e admite avançar para mobilização nacional, incluindo protestos, se o processo não mudar.

455.000 hectares identificados — mapas só conhecidos por fuga de informação
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Campo de golfe no Algarve
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ex: "golf course drought Algarve aerial"
Imobiliário + águaParecer desfavorável — em avaliação⚖️ Em acompanhamento

Expansão do campo de golfe de Monte Rei, em plena emergência hídrica

Vila Nova de Cacela, Vila Real de Santo António — Algarve

O grupo Monte Rei Golf & Country Club quer construir um segundo campo de golfe de 18 buracos, numa área de intervenção de mais de 56 hectares — cerca de 30 só de relvado — entre a Serra do Caldeirão e o Atlântico, numa zona rural e agroflorestal. A associação ambientalista ZERO deu parecer desfavorável ao projeto, considerando-o "incompatível com a emergência hídrica que se vive" no Algarve e um risco para o direito fundamental das populações a água em quantidade suficiente e com qualidade adequada.

A Câmara Municipal propõe que a rega seja feita exclusivamente com água residual tratada, sem recurso a água superficial ou subterrânea — mas a discussão expõe uma tensão maior: enquanto se multiplicam campos de golfe e resorts de luxo para investimento estrangeiro no Algarve, populações e agricultura da região enfrentam cortes e escassez de água.

+56 hectares de expansão, numa região já em emergência hídrica
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Paisagem da Sertã
☀️serta.jpg
ex: "hillside landscape solar panels Portugal"
Zona de aceleração solarParecer desfavorável — consulta encerrada⚖️ Em acompanhamento

Sertã: mais de 25% do concelho marcado para zonas de aceleração solar

Sertã — Castelo Branco, Beira Baixa

A Sertã é um dos cerca de dez concelhos do país onde o PSZAER mapeia pelo menos 25% do território municipal como zona de aceleração para energia solar. A Câmara Municipal deu parecer desfavorável à proposta na consulta pública, alertando para impactos num território que classifica como "ambientalmente sensível" e de "elevado valor paisagístico", e alegando que a delimitação das áreas propostas não salvaguarda adequadamente as especificidades ambientais, paisagísticas e socioeconómicas do concelho — nem a sua estratégia de desenvolvimento territorial, assente na valorização de recursos endógenos.

A Comunidade Intermunicipal da Beira Baixa — que junta Castelo Branco, Idanha-a-Nova, Oleiros, Penamacor, Proença-a-Nova, Sertã, Vila de Rei e Vila Velha de Ródão — foi mais longe, e deu parecer desfavorável ao programa inteiro, alertando para "enormes impactos" na comunidade e no território de toda a região.

+25% do território do concelho marcado para zonas de aceleração solar
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Restauro de ecossistemas em Portugal
🌳restauro-natureza.jpg
ex: "reforestation restoration nature Portugal"
⚡ Participar na consulta
Restauro da naturezaConsulta pública aberta — até 19 de agosto⚡ Ação disponível

Plano Nacional de Restauro da Natureza: consulta pública até 19 de agosto

Nacional — consulta pública via Portal Participa

O Governo apresentou, em consulta pública entre 9 de julho e 19 de agosto de 2026, a proposta do Plano Nacional de Restauro da Natureza — o instrumento que aplica em Portugal o Regulamento europeu de Restauro da Natureza. O plano prevê um investimento de 500 milhões de euros por ano até 2030 e define 407 medidas em oito domínios: ecossistemas terrestres, costeiros e de água doce, ecossistemas marinhos, ecossistemas urbanos, conectividade de rios e planícies aluviais, populações de polinizadores, ecossistemas agrícolas e ecossistemas florestais.

Entre os compromissos: restaurar pelo menos 20% das áreas terrestres e marinhas do país até 2030, e plantar três milhões de árvores por ano. Ao contrário dos outros casos nesta página, este não é uma luta contra um projeto — é a oportunidade de reforçar, com contributos concretos, a ambição de um plano que o ICNF apelou diretamente à população para participar.

500 milhões de euros/ano até 2030 — 407 medidas em 8 domínios
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Litoral alentejano perto de Grândola
⛏️lagoa-salgada.jpg
ex: "Alentejo coast wetland aerial Portugal"
⚡ Assinar a petição contra a mina
Mineração de cobre, chumbo e zincoDIA desfavorável — promotor recorre a tribunal⚡ Ação disponível

Mina da Lagoa Salgada: petição pede o cancelamento do projeto

Grândola e Alcácer do Sal — litoral alentejano, distrito de Setúbal

Um investimento de 196 milhões de euros da Redcorp — Empreendimentos Mineiros para explorar um depósito polimetálico de cobre, chumbo e zinco, com estatuto de Projeto de Interesse Nacional (PIN) desde 2022. Depois de a Agência Portuguesa do Ambiente ter emitido uma Declaração de Impacte Ambiental desfavorável ao projeto reformulado, a Redcorp avançou com uma providência cautelar no Tribunal Administrativo e Fiscal de Beja para suspender essa decisão e manter viva a construção, prevista para começar em 2026. Mais de 2.000 pessoas já assinaram uma petição a pedir o cancelamento total do projeto.

A Assembleia Municipal de Grândola aprovou, a 30 de abril de 2026, por unanimidade, uma posição de firme oposição ao projeto, apontando oito riscos graves — entre eles dano ambiental e social nas zonas de Silha do Pascoal e Água Derramada, e ameaças aos aquíferos essenciais ao abastecimento público. A Assembleia propõe ao Governo a retirada do estatuto de PIN e o cancelamento do licenciamento. Os subscritores da petição alertam ainda para um consumo de água muito acima do razoável numa região já afetada por seca extrema, e para 1.880.000 toneladas de resíduos previstas por ano de exploração.

+2.000 assinaturas na petição — Assembleia Municipal rejeitou por unanimidade
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Horta comunitária escolar em Lisboa
🌱cultiva.jpg
ex: "urban school garden community Lisbon"
⚡ Assinar a petição pela continuidade do Cultiva
Espaço comunitárioDespejo agendado — 12 de setembro⚡ Ação disponível

Projeto Cultiva: horta escolar e comunitária ameaçada de despejo em Lisboa

Escola Gil Vicente, Graça — Lisboa

Criado em 2024 por Sylvain Papyon e Rodrigo Borralho, da Rizoma Cooperativa Integral, e financiado pela Câmara Municipal de Lisboa, o Cultiva é um espaço de agricultura biológica certificada, educação ambiental e participação comunitária na Escola Gil Vicente. Foi comunicado que o espaço permanecerá em funcionamento apenas até 12 de setembro de 2026, sem previsão de renovação — na sequência de uma obra do Exército Português num terreno adjacente (Campo de Santa Clara, 133) que exige parte do espaço ocupado pelo projeto para logística da obra.

Foi apresentado às partes um plano concreto de partilha do espaço entre a horta e a obra, que permitiria a coexistência das duas — mas essa proposta não foi considerada pelo Exército, uma entidade sem direitos sobre o terreno onde o Cultiva se desenvolve. A petição pede à Assembleia da República que recomende a revisão da decisão de descontinuar o projeto e promova a abertura de negociações para soluções de partilha do espaço.

Dois anos de atividade — despejo previsto para 12 de setembro de 2026
Ler a petição completa →
Rede, não hierarquia

Quem está na luta

Organizações e coletivos portugueses a trabalhar nestas frentes — de associações locais horizontais a ONGs nacionais com décadas de história.

Associação local

Unidos em Defesa de Covas do Barroso

Associação da comunidade local, organizada de forma horizontal, que resiste à mina de lítio através de manifestações, acampamentos e ação legal.

Facebook →
Coletivo horizontal

Climáximo

Coletivo aberto, horizontal e anticapitalista pela justiça climática, sem liderança formal, que organiza ação direta e mobilização de rua.

climaximo.pt →
ONG nacional · 1985

Quercus

Associação Nacional de Conservação da Natureza. Mantém o projeto "Alerta Lítio", dedicado a acompanhar o impacto da mineração em Portugal.

alertalitio.quercus.pt →
ONG nacional · 2015

ZERO

Associação Sistema Terrestre Sustentável, focada em mudar políticas públicas: zero combustíveis fósseis, zero poluição, zero destruição de ecossistemas.

zero.ong →
ONG nacional · 1981

GEOTA

Grupo de Estudos de Ordenamento do Território e Ambiente. Trabalha rios livres, restauro de ecossistemas e monitorização costeira.

geota.pt →
ONG nacional · 1948

Liga para a Proteção da Natureza (LPN)

A mais antiga associação ambientalista portuguesa. Alerta também para o desaparecimento do jornalismo especializado em ambiente no país.

lpn.pt →
ONG internacional

WWF Portugal

Presença ativa em todas as redes sociais, com campanhas de conservação e pressão sobre políticas ambientais em Portugal.

Redes sociais →
Organização jurídica

ClientEarth

Organização de advogados ambientais que representa a comunidade de Covas do Barroso no Tribunal de Justiça da União Europeia.

clientearth.org →
Rede de apoio mútuo

BRAVA — Rede de Resistência Rural

Liga comunidades rurais ameaçadas pelo extrativismo a quem pode apoiar com dinheiro, tempo ou conhecimento. Gere um fundo de resistência autogerido e um mapa coletivo de ameaças e resistências em Portugal.

rederesistenciarural.org →
Cooperativa integral

Rizoma Cooperativa Integral

Promove agricultura biológica certificada, educação ambiental e literacia alimentar em espaços comunitários, como o Projeto Cultiva na Escola Gil Vicente.

Petição do Cultiva →
Canais oficiais

Como denunciar um crime ambiental

Em 2025, a linha oficial da GNR recebeu um número recorde de queixas — mais de 15.500. O canal existe, é gratuito e funciona 24 horas por dia.

Linha SOS Ambiente e Território (GNR / SEPNA)

Telefone (24h)
808 200 520
Email
sepna@gnr.pt
Também podes denunciar via
CCDR da tua região (ex: CCDR Alentejo, CCDR Centro)
Ao denunciar, regista data, local exato (coordenadas se possível), o que observaste e, se conseguires em segurança, fotografias. Denúncias concretas e verificáveis têm mais impacto do que alarmes genéricos.
Da consciência à ação

O que podes fazer

  1. 1

    Segue e apoia as organizações e associações locais listadas acima — nas redes sociais, com quotas ou donativos.

  2. 2

    Participa em consultas públicas de Avaliação de Impacto Ambiental (AIA) quando estiverem abertas — é um dos poucos momentos em que a lei obriga a ouvir os cidadãos.

  3. 3

    Vai a acampamentos e manifestações quando forem convocados pelas comunidades afetadas, como em Covas do Barroso.

  4. 4

    Denuncia com factos concretos através da linha SOS Ambiente — local, data, provas.

  5. 5

    Apoia fundos de defesa jurídica de ativistas e associações processados por empresas (ver nota sobre SLAPP abaixo).

  6. 6

    Partilha apenas informação verificada, sempre com a fonte citada — a credibilidade é a maior força de qualquer luta coletiva.

  7. 7

    Junta-te a uma associação da tua região, ou ajuda a criar uma, se não existir nenhuma perto de ti.

Nota sobre risco legal (SLAPP) Em Portugal há casos documentados de empresas a processar ativistas e organizações ambientais por difamação, com indemnizações desproporcionadas, como forma de intimidação — os chamados processos SLAPP (Strategic Lawsuits Against Public Participation). Vinte e oito organizações já pediram ao Estado português a transposição da diretiva europeia anti-SLAPP, com prazo até maio de 2026. Isto não é motivo para silêncio — é motivo para rigor: verifica sempre os factos antes de publicar, cita as fontes, e evita afirmações que não consigas comprovar.
Quem faz isto

Sobre o Ulmeiro

Ulmeiro é um projeto da MAH (Migration Against Hate), não uma organização, mas uma pessoa em ação face à crise climática e outras causas de justiça social. Nasceu de uma pergunta simples: onde é que alguém em Portugal consegue ver, num só lugar, o que está a acontecer com a terra, a água e as florestas do país, e como se pode juntar a quem já resiste?

Cada caso listado é verificado contra imprensa nacional e fontes das próprias organizações e comunidades envolvidas, e a lista é revista semanalmente. Não pretendemos ser uma fonte oficial nem substituir o trabalho de quem citamos aqui: isto é um ponto de partida, não um veredicto. Encontraste um erro, um caso em falta, ou queres colaborar? Escreve para geral@ulmeiro.org.